RELEMBRANDO
Lino de Miranda

Era a cavalo que gostaria de voltar. E de noite, no outono com um luar já frio e muito claro,os milhos colhidos, as videiras já sem folhas, e os esteios das vinhas, brancos, a brilhar como espectros amigos. Uma névoa muito fina, baixa, ao longo dos regatos, como um suor frio das nabiças de folhas prateadas.
Mas sobretudo, que fosse a uma hora em que as casas brancas brilhassem dispersas na tranqüilidade já gostosa das lareiras, e que entre as nuvens brancas que devagar subissem aos céus, pudesse de longe, do cume assomado da serra, parando com a silhueta projectada contra o infinito, distinguir as chaminés da minha casa, confortável e alegre com o lume da lareira e as crianças aquentando-se, protegidas pela paz das coisas simples e boas.
E no entanto haveria nelas e na Mãe um ouvido atento, uma natural expectativa, como se eu tivesse apenas saído de manhã, com as botas e o capote, a algum lugar muito próximo, à caça ou prestar auxilio às cartas e ao vinho de algum amigo.
Por isso a minha imagem entrando pela porta da cozinha, a bater os pés no chão para sacudir a terra das botas, por hábito,mesmo sem terra nem frio, não deveria causar nenhuma surpresa maior do que a surpresa de nos encontrarmos todos os a horas certas, no fim do trabalho, em casa com os pequenos à nossa volta, brincando, fazendo barulho, aquele prodigioso barulho das crianças que brincam seguras na tranqüilidade do seu lar.

“Lino de Miranda” (NOSTOS)

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A terceira de oito irmãos, me divertia fazendo biscoitos, desde os oito anos de idade para os irmãos. É claro que para criança, sendo doce, tudo é uma delícia e meus irmãos achavam que eu cozinhava muito bem!!!



Onde aprendi a cozinhar? Essencialmente em casa. Minha mãe, cozinheira de mão cheia e gourmet , ensinou-me a experimentar de tudo.Meu pai, a conhecer bons vinhos e as tradições culinárias da nossa terra.Tudo associado a pesquisa ,dedicação ,teimosia e muito estrago de ingredientes.
Depois o interesse da família em me ajudar trouxe-me receitas novas.A paciência da minha tia Júlia e da tia Cina que me deixam xeretar nas suas cozinhas de cada vez que vou a Portugal.
Também tive um grande incentivo do grande Chef Patissier Fabrice Lenud que me permitiu fazer um estágio de uma semana na sua confeitaria em São Paulo onde aprendi técnicas que me faltavam para ser mais profissional.
E por fim com meus clientes que me dão sempre boas sugestões entre boas críticas e relatos de suas experiências de viagem ou de tradições de suas famílias.
Por isso tudo acho que agora já me posso considerar uma verdadeira cozinheira.

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O COMEÇO
Desde Portugal

Meu pai, Lino de Miranda, professor, formado em Filologia Clássica pela Universidade de Coimbra, poeta e romancista.
Minha mãe, Maria Helena, bailarina clássica, formada em Letras, filha de jornalista e escritor.



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